quinta-feira, 24 de setembro de 2020

PRENDAS???? NÃO! JAMAIS SEREMOS...

 

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                                                    PRENDAS? NÃO!!!!

 

Baseado na leitura do texto de Steffany Cardoso com algumas reflexões e adaptações...

 

É nas tradições do Rio Grande do Sul, um dos estados brasileiros onde o conservadorismo é mais presente que mais se perpetua a diferença entre homens e mulheres...

Enquanto aos homens cabe a imagem de coragem e valentia, quando enfrentam as dificuldades e se sobressaem sobre aqueles que os ameaça, as mulheres devem ser criadas para ser um presente (prenda??), um enfeite, àquele homem que for merecedor de formar uma família e lhe dar  o sobrenome (MAS AINDA PRECISAMOS DISSO?).

No dicionário prenda que é um substantivo feminino

1.  objeto que se dá a alguém como um agrado; mimo, dádiva, presente. Dote;

2. habilidade, aptidão e conhecimento em qualquer ramo de atividade; predicado, qualidade...

Mas não somos objeto ou presente..!!!! JAMAIS SEREMOS...

No passado nossa educação era sobretudo doméstica; na maioria das vezes crescíamos sob o teto sustentado pelo nosso pai e boa parte das mulheres só sairiam de casa para se abrigar sobre outro teto sustentado pelo marido. Segundo as tradições, estávamos  sempre sob a tutela de um homem. Assim era o que ditava a cultura tradicionalista, criada e sustentada pelas elites Rio Grandenses, principalmente nas  cidades do interior.

Essa cultura machista gaúcha, ainda entende que aquela mulher que tenta se desvencilhar das amarras que a prendem, é vista como “china”, que nas gírias locais tem sentido pejorativo.

Falar em independência econômica é irreal para quem sofre todos os dias com as intermináveis tarefas domésticas, com os empregos mais precários fora de casa, com a precariedade da educação pública e da rede de saúde pública.  Nas escolas ainda não temos educação sexual para poder decidir ou entender o que está acontecendo com nosso corpo. Em casa, muitas vezes ainda aprendemos que o toque é pecado; mas também aprendemos a atender as necessidades dos homens. Em algumas localidades não nos garantem gratuitamente contraceptivos de qualidade

  ( sem tantos efeitos colaterais) para que possamos evitar uma gravidez indesejado.  Infelizmente esse Estado  ainda não é nosso, e não serve a nós. Por isso não basta a ascensão de algumas de nós e nem basta ocupar os espaços de poder; precisamos é que  não existam mais espaços de poder.

Nós sentimos todos os dias na pele e na nossa carne a dor da exploração e da opressão. Dói tanto quanto o golpe de um mango. E justamente quem mais sofre é que tem a gana por mudança. Não queremos mais adaptações, não nos satisfazemos com pequenas conquistas. Queremos tudo que temos direito; não só o pão e tudo de básico e necessário que há para sobreviver; mas também a plenitude de uma vida com sentido, a qual valha a pena ser vivida, afinal somos guerreiras, chefes de famílias, arregaçamos as mangas e não somos mais prendas e sim mulheres fortes... .

 Somos escudos dos ataques de um regime baseado no acúmulo de capital . E tomaremos a linha de frente da batalha por um novo mundo. Somos poucas no poder mas milhares nas ruas; e vamos derrubar as portas das nossas casas e de tudo que possa nos deter.

NÃO SOMOS SÓ A VOZ DE TODAS AS ANAS TERRAS, BIBIANAS E ANITAS, SOMOS A VOZ DE TODAS AS FRIDAS POR ESSE BRASIL AFORA!

 

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

MULHER GAÚCHA, UM LEGADO DE BRAVURA!

 

 MULHER GAÚCHA! EP 17

 TEXTO  Guilherme Milani Lorscheider  ( COM ADAPTAÇÕES)


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Nos dias atuais, muito se discute sobre a representatividade da mulher no mundo.  Com o avanço do feminismo através dos tempos, desde a Revolução Francesa onde a mulher, de fato, construiu uma independência maior e até os dias atuais a história da emancipação da mulher tomou rumos diversos.

A mulher gaúcha teve  um  papel corajoso e pioneiro na história, sendo  peça fundamental para a construção da república rio-grandense.

Temos a personagem criada por Érico Veríssimo: Ana Terra. Em seus livros O Continente I e II, que deixa claro que a mulher contribuiu fortemente para a construção da história do Rio Grande do Sul. O uso da personagem como exemplo, deve-se porque é o espelho do atual modelo da mulher gaúcha.

“Sua personalidade forte, de garra, obstinação e resistência frente a todas as perdas e violências que sofreu fazem de Ana Terra um símbolo da mulher gaúcha. Traços da personalidade de Ana e sua crença na vida serão encontradas nas mulheres das gerações futuras da família Terra Cambará, principalmente de sua neta Bibiana.”

Quando falamos da Guerra dos Farrapos e suas grandes batalhas e feitos, a presença feminina é negligenciada. Quando pensamos em mulher na Guerra dos Farrapos, logo pensamos em Anita, mas sem ser ela; o que sabemos da atuação da mulher em combate? A resposta é: quase nada!

Em uma sociedade quase que exclusivamente de militares, que tem tradição machista e direciona a mulher – desde cedo – aos afazeres domésticos e deveres religiosos enquanto esperava um cônjuge. Todo mundo sabe que a Revolução Farroupilha durou 10 anos! Mas a pergunta é: onde estavam as mulheres durante inúmeros ataques, incêndios e mortes? A resposta é simples.

 A mulher estava conquistando seu espaço! Registros da época relatam alguns grupos espalhados pelo estado com propostas distintas. Fazendeiras que substituíram o administrador, liberando o gado mediante recibo ou vendo o rebanho espoliado. Barqueiras comandavam pequenas embarcações com produtos agrícolas para o mercado porto-alegrense; muitas acompanhavam seus maridos em combate para o cuidado dos feridos e por aí, a lista só aumenta.

 Importante destacar alguns nomes que fizeram história no pago gaúcho e que poucos ouviram falar:

       Nísia Floresta: chegou ao Sul em 1833 vinda do Nordeste. Cantora, falava sobre as farturas das chácaras-cinturão verde de Porto Alegre. Traduziu a obra “Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens”, caracterizada por ser ousada e muito avançada. Como forma de minimizar os efeitos da ousadia causada pela obra, a imprensa a silenciou.

       Ana de Barandas: grande questionadora de homens conservadores, a porto-alegrense era solidária na busca por mais direitos. Inconformada, suas denúncias tiveram repercussão na formação do pioneiro Partido Político Feminino. Foi presa, interrogada e expulsa de Porto Alegre. Em seu livro O Ramalhete (1845), argumenta que a mulher deve ter vontade própria para abraçar a causa que ache vantajosa.

       Marquesa de Alegrete: heroína anônima, nobre pampeana, que em 14 de janeiro de 1717, na Batalha de Catalan, ao lado do esposo Marques de Alegrete – Luiz Telles de Caminha e Menezes serviu como enfermeira, mãe e até soldado, na demarcação de fronteiras do nosso pago gaúcho.         

Mulheres atuantes que vale a pena pesquisar um pouco e sair do estigma que a história rio-grandense foi somente formada por homens.

A história das mulheres gaúchas do passado deixou um legado de bravura e determinação para as mulheres atuais.

 A representatividade e a voz feminina está mais ampla e estamos preparadas para expressar  opiniões  e posicionamentos sem medos.

 

Nosso trabalho é de formiguinha...mas avançamos cada dia mais, ocupando espaços e defendendo os nossos direitos! Somos a VOZ DE TODAS AS FRIDAS!

 

 PROF@ MI...COISAS DE ESCOLA É AFILIADA A REDE GAÚCHA DE PODCASTERS – O PODCASTHÊ, A NAÇÃO PODCASTERS E INTEGRANTE DO PODCAST AVOZ DAS FRIDAS DA RADIO FRIDA ROCK. CONHEÇA NOSSO TRABALHO, OUÇA A NOSSA VOZ...ESTAMOS EM TODOS OS AGREGADORES E REDES SOCIAIS.

domingo, 30 de agosto de 2020

QUE PODER É ESSE ? EPISÓDIO 16


 Último programa dentro do agosto lilás!

Importante entrevista com a doutora
Deborah Sztajnberg
feita pela advogada
Daniele Schmals
. A Voz das Fridas programa idealizado, elaborado e apresentado somente por mulheres.
Para ouvir Baixe o aplicativo Rádio Frida Rock

 TRAGO PARA REFLEXÃO Este artigo é de Heloneida Studart - O poder desarmado (TALVEZ MUITOS JÁ CONHEÇAM...MAS NO DIA INTERNACIONAL DA IGUALDADE FEMININA , VEM BEM A CALHAR ...)

“Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinham da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças. Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais Virgem e os irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos Bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.

Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou vestígios himenais dilacerados, e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo. Realmente, esqueceu, morrendo tuberculosa.

Estes episódios marcaram para sempre a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres? Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba. Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem iirresistíveis diante dos homens. E, com isso,Barbies de fancaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda de auto-estima.

Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composto de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E, no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo.

Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas.

Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência. As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência

É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz. E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas.

São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura de seus corações.

PODCASTER PROF@ MI  ESPECIALMENTE PARA A VOZ DAS FRIDAS – RÁDIO FRIDA ROCK

TAMBÉM INTEGRANTE DA REDE GAUCHA DE PODCASTER O PODCASTCHÊ E A NAÇÃO PODCASTERS



quinta-feira, 20 de agosto de 2020

PARCERIA NOVA, PROGRAMA NOVO: HOJE (20/08/ ÀS 20h !

 

É  HOJE,  ÀS 20h  INICIA A PARCERIA ENTRE A RÁDIO FRIDA ROCK E O PROGRAMA BARRA CULT DA RÁDIO FÁBRICA DE GAITEIROS NO COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES.


O Programa Barra Cult - Rádio Fábrica de  Gaiteiros tem o prazer de anunciar que, a partir da próxima quinta-feira 20/08, trará ESPECIAIS todas as quintas, voltados para a temática do universo feminino e feminista em parceria com a Rádio Frida Rock (MSJ Produtora) e seu programa A Voz das Fridas, idealizado e apresentado somente por mulheres. O especial tem por objetivo trazer à luz debates, entrevistas,  depoimentos de mulheres que sofreram com a violência doméstica, informações diversas e pertinentes ao universo feminino e feminista no combate à cultura machista existente ainda em homens e mulheres. 

O programa BARRA CULT ESPECIAL tem a apresentação de Newton grande e você pode ouvir 
O mesmo será TRANSMITIDO SIMULTANEAMENTE pela 

Apresentação: Miriam Smile e Isabel Ayala
Participação das Fridas Mirian U Machado Podcaster do Prof@  Mi coisas de Escola e a Mili Redberyl  guitarrista da banda Hexwyfe

Rádio Frida Rock nas seguintes plataformas:

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domingo, 16 de agosto de 2020

VAMOS FALAR SOBRE SORORIDADE...

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR EM SORORIDADE? EP 15

Conheça o Podcaster.one     https://podcaster.one/en?ref=pNJ4a7



A palavra sororidade vem do latim, soror, que significa irmã, portanto, fortalece a ideia de irmandade feminina. É um substantivo feminino e um conceito, em construção, sobre empatia, solidariedade e acolhimento entre mulheres. Existe nele um recorte de gênero, um direcionamento dessa empatia de mulheres para outras mulheres.

A palavra sororidade não está presente, ainda, em todos os dicionários clássicos da língua portuguesa. É a correspondente feminina da palavra fraternidade, também derivada do latim, que significa solidariedade entre irmãos (frater)

EM ALGUNS DICIONÁRIOS TEMOS AS SEGUINTES DEFINIÇÕES: “Relação de união, de afeição ou de amizade entre mulheres, semelhante à que idealmente haveria entre irmãs.

OU AINDA “Relação de irmandade, união, afeto ou amizade entre mulheres, assemelhando-se àquela estabelecida entre irmãs. [Por Extensão] União de mulheres que compartilham os mesmos ideais e propósitos, sendo caracterizada pelo apoio mútuo evidenciado entre essas mulheres”|

Portanto praticar a sororidade  vem promovendo IDEIAS E ATITUDES em prol da  irmandade feminina contemporânea . Ela reorienta a percepção e atitude de uma mulher perante outra por meio da simpatia, acolhida e colaboração  desde situações simples do dia a dia até projetos sistemáticos de apoio mútuo entre mulheres.

As novas tecnologias que permitem a troca e disseminação de ideias é um dos fatores responsáveis pelo alcance que os feminismos e a sororidade têm gradativamente alcançado ao longo dos últimos anos, ao ponto de essa palavra nova ser incorporada aos dicionários e ao cotidiano de muitas mulheres.

O uso das redes sociais, as novas modalidades de interação por meios digitais favorecem a formação de comunidades virtuais de mulheres, com trocas de ideias, conceitos, desabafos, denúncias, tratamentos alternativos, mensagens de encorajamento, o fortalecimento de laços, apoio mútuo e trocas de experiências sobre o ser mulher. Nesse contexto, a sororidade tornou-se uma importante forma de ACOLHER O FEMININO, praticar o feminismo e propagar suas bandeiras e lutas.

 

O PROF@MI COISAS DE ESCOLA FAZ PARTE DA REDE GAUCHA DE PODCAST- O PODCASTCHE E A NAÇÃO PODCASTERS.

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sexta-feira, 14 de agosto de 2020

INFORMATIVO BLOG CAST 15/08

 

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

INFORMATIVO DO BLOG CAST 15/08

 #mulherespodcasters

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avozdasfridas
#Podcastchê
#nacaopodcasters
VOZ DAS FRIDAS!

RÁDIO FRIDA ROCK! Uma Rádio totalmente empoderada!
PROGRAMA FRIDA ROCK

Neste sábado tem a VOZ DAS FRIDAS com Miriam Smile, Isabel Ayala,  Mili (da Banda Hexwyfe) e Mirian Urnauer Machado (Podcaster no  Prof@Mi...coisas de Escola), às 12h.
Não perde! COMPARTILHE E PARTICIPE NA CAMPANHA AGOSTO LILÁS! 
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PODCAST LER É ABRIR JANELAS...EPISÓDIO 14

 

sábado, 8 de agosto de 2020

PODCAST LER É ABRIR JANELAS... EPISÓDIO 14

 


Você pode ouvir clicando no link abaixo:

Aqui está um programa para você… Ler é abrir janelas... Episódio de Prof@Mi...coisas de Escola!

Apesar de parecer meio estranho, muita gente tem o hábito acariciar e  de cheirar  todo o livro que abre antes mesmo de começar a leitura. Chega a ser quase um ritual que pode ser realizado tanto com uma profunda fungada em uma página aleatória quanto com uma cheirada mais de leve, aproveitando aquela brisa que sai de um rápido folhear.

Ler é abrir janelas

Gilberto Gil -Cantor e Ex-Ministro da Cultura

Dezembro/2006

Ler é transcender, é possibilitar, é ir além do nosso por vezes cruel mundo imediato – tantas e tantas vezes nos abrigamos no confronto acolhedor da leitura quando estamos amuados ou pesarosos. Ler é abrir janelas, destramelar portas, enxergar com outros olhares, estabelecer novas conexões, construir pontes que ligam o que somos com o que outros, tantos outros, imaginaram, pensaram, escreveram.  Ler é fazer-nos expandidos.

 

E que convívio maravilhoso se dá numa Biblioteca, esta magnífica invenção coletiva da Humanidade: envoltos no manto do silêncio que aí reside e que nos convida à concentração e à reflexão, as Bibliotecas nos dão acesso aos infindáveis conhecimentos encontrados nos livros, dispostos em convívio pacífico, lado a lado, em suas estantes e prateleiras. .( abro um parêntese aqui...eu sou da geração das grandes bibliotecas, hoje os livros estão num estalar dos dedos...um click e eles aparecem na tela do celular ou computador...)


As bibliotecas e os livros colocam ao nosso alcance saberes tão diversos como aqueles sobre a matemática aplicada à construção de relógios e ao voo dos aviões; o desenho geométrico que fará casas e estradas; a composição molecular inscrita no cerne de nossas células ou nos alimentos que nos dão uma vida mais saudável; a história do comércio, dos transportes e também a história daquela risonha menina a caminho. E até àquele poema que usamos para enternecer a quem amamos.

Seria um exercício absolutamente fascinante remontar em quantas dimensões, em quantos momentos, de quantas formas a leitura marcou a vida de cada um, a vida de cada cidade, de cada sociedade.

 

A partir do ato da leitura podemos então desenvolver um certo número de operações cognitivas, hierarquizando os argumentos, comparando os enunciados, descartando ideias que pouco nos agradam, destacando outras e colocando aquelas que mais apreciamos em contato com ideias e enunciados de outros livros, de outros temas, de outros autores, de outros mundos. Usamos essas ideias – que agora já nos constituem – nas conversas com nossos amigos, em nosso trabalho, em nossos lares. Nos utilizamos delas para sermos melhores amigos e amigas, melhores pais e mães, melhores trabalhadores, melhores empresários ou melhores políticos.

Quando falamos de livro e leitura falamos, portanto, de expansões e de potencialidades.

 

E PARA FINALIZAR DEIXO ESSE POEMA

 

Viajar pela leitura,
sem rumo, sem intenção.
Só para viver a aventura
que é ter um livro nas mãos.
É uma pena que só saiba disso
quem gosta de ler.
Experimente!
Assim, sem compromisso,
você vai me entender.
Mergulhe de cabeça
na imaginação!

Clarice Pacheco

 

 

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A INDICAÇÃO DE HOJE É O PODCAST   PIO DA JIRIPOCA ( QUE É UM ESPAÇO PARA CONVERSAR COM GENTE INTERESSANTE , CONTAR HISTÓRIAS DOS NOSSOS TEMPOS,  DA NOSSA VIDA, FALAR DE COISAS SÉRIAS OU NEM TANTO...TUDO COM MUITO BOM HUMO R NA VOZ DE CARLOS BIAGIOLLI  

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